Solstaria

Mando mensagem para o meu ex ou é melhor não?

A mensagem já está escrita. Está ali na conversa, com o cursor piscando depois da última palavra, e você apagou e reescreveu tantas vezes que já sabe de cor. Uma parte de você quer que alguém diga «vai, manda», outra quer que alguém tire o celular da sua mão, e nenhuma das duas está exagerando.

Mandar mensagem para o ex não é uma coisa só

Parece uma pergunta só, mas a resposta depende de qual mensagem é, e existem pelo menos cinco. Na tela elas se parecem. São atos diferentes.

Tem a prática: você está com o moletom dele, ele está com a sua chave, alguém precisa falar. Tem o pedido de desculpas que você deve, por algo que fez e em que não parou de pensar. Tem o «tô com saudade» da meia-noite, que é verdade, e que descreve principalmente a meia-noite. Tem o «parabéns» no aniversário, que parece educado e seguro e quase nunca é só isso. E tem o teste: um meme, uma foto do cachorro, uma pergunta sobre uma série, qualquer coisa, enviada para descobrir se ele ainda responde.

Nenhuma é proibida. Mas cada uma pede algo diferente dele, e muitas vezes o problema é uma mensagem de um tipo fantasiada de outro: um teste vestido de parabéns. Quem recebe costuma ler a verdadeira, mesmo que você ainda não tenha lido.

O que você quer que aconteça na hora seguinte

Existe uma pergunta mais útil do que sim ou não. Imagine a hora depois de mandar. O que você quer que aconteça nela?

Se a resposta sincera for «nada, só quero que fique dito», essa mensagem você provavelmente pode mandar, porque ela está completa no instante em que sai. Se a resposta sincera for «quero que ele responda rápido, com carinho e com uma pergunta dele», então não é bem uma mensagem. É um pedido, e o pedido está escondido. Você está pedindo que ele mostre que a porta continua aberta, sem dizer isso.

Ele só consegue responder às palavras que estão na frente dele. Se ele escreve «obrigado, tudo de bom pra você» em resposta a um parabéns que, em segredo, perguntava se ele ainda pensa em você, ele respondeu com educação e você levou um não, e só uma das duas pessoas ficou sabendo.

A resposta que você precisa aguentar é nenhuma

Quase todo mundo pesa uma mensagem imaginando a melhor resposta e a pior. A que importa não é nenhuma das duas. É o vazio: entregue, talvez com os dois risquinhos azuis, e depois nada, nem hoje, nem amanhã, nem na semana que vem.

Pergunte a si mesma, sem enfeite, se você consegue carregar isso. Não se você gostaria; se conseguiria ter uma quinta-feira normal com a mensagem visualizada e sem resposta. Se consegue, a mensagem é sua e você pode mandar. Se o silêncio vai deixar você abrindo o WhatsApp de dez em dez minutos para ver se ele está online, mandar não encerra a espera em que você está. Começa outra, com cronômetro.

Uma coisa fica fora de tudo isso. Se você está pensando em escrever porque tem medo dele, ou porque ele controlava ou ameaçava você e o silêncio parece perigoso, uma página como esta não é a ajuda certa. Uma pessoa que possa ouvir a história inteira é.

Onde a astrologia entra

Você já deve ter ouvido que Mercúrio retrógrado traz o ex de volta; é uma crença popular, e o céu não decide quem escreve para quem. Um mapa astral não consegue dizer se ele vai responder, o que ele sente, nem se esta é a noite certa.

Um mapa serve para descrever a pessoa que está com o celular na mão. Mercúrio é um jeito de falar de como você coloca as coisas em palavras, principalmente sob pressão. Tem gente que se alonga e explica tudo duas vezes, ou manda um áudio de três minutos. Tem gente que escreve curto e seco e soa mais fria do que está. Tem gente que faz piada, para que depois ninguém possa cobrar nada. Saber qual é o seu jeito ajuda a ver o que a pressão acrescentou ao rascunho.

A Lua é um jeito de falar do que acalma você, e por isso do que a vontade está pedindo de verdade. A vontade de escrever raramente é vontade de informação. Na maioria das vezes é vontade de ser tranquilizada, de ser escolhida, ou só de parar de se sentir sozinha no apartamento às onze da noite. São necessidades reais. Ele é uma resposta possível, não a única.

Olhe o seu próprio mapa já que está aqui

O seu mapa não vai dizer se você manda ou não. Ele mostra o seu Mercúrio e a sua Lua: como você diz as coisas, e o que esperava que essas palavras trouxessem.

Data de nascimento
Hora de nascimento

Nada do que você digita é enviado para lugar nenhum. O mapa é calculado no seu navegador e fica guardado neste aparelho.

Escreva à noite, leia de dia

Escreva a mensagem. Inteira, do tamanho e com a crueza que ela quiser ter. Escreva num lugar sem botão de enviar: o bloco de notas do celular, a última folha de um caderno. E deixe até de manhã. Não é um truque para você desistir. Quem escreve à meia-noite e quem lê às nove trabalham com quantidades diferentes de luz.

De manhã, leia como se uma amiga tivesse recebido aquilo e passasse o celular para você, perguntando o que acha. O que você diria que essa pessoa quer? O que você enxergar desse lado da tela é bem parecido com o que ele vai enxergar.

Se você mandar

  • Diga uma coisa só. Um pedido de desculpas, ou uma pergunta prática, ou que você lembrou dele. Não as três, porque uma mensagem que carrega três coisas recebe resposta só para a mais fácil.
  • Não peça nada que você não aguentaria ouvir negado. Se não está pronta para ler «acho que não é uma boa ideia», não proponha um encontro. Deixe a pergunta de fora e deixe a mensagem se sustentar sem ela.
  • Corte a linha que explica por que você está escrevendo. «Sei que é estranho eu aparecer assim» e «não precisa responder» são dois jeitos de pedir uma resposta.

Decida antes o que vai fazer com cada resultado, inclusive o vazio. Uma mensagem é uma mensagem. Uma segunda mensagem mandada para o silêncio já é outro ato, e é dele que as pessoas costumam se arrepender.

Se você não mandar

Não mandar não faz a vontade sumir. Ela precisa de um lugar para ir. Guarde o rascunho; você escreveu uma coisa verdadeira e tem direito de ficar com ela. Depois olhe o que ela estava pedindo e leve isso a alguém que possa dar de verdade. Se era «me diz que eu não fui boba», uma amiga que conheceu vocês dois pode dizer hoje mesmo. Se era companhia, ligue para alguém e fiquem na chamada enquanto cada uma faz o jantar.

A vontade vem em ondas, e costumam durar menos do que parece. Você não precisa decidir para sempre. Só precisa decidir sobre esta noite, e amanhã pode se fazer a pergunta de novo, descansada e com o rascunho ainda ali.

Tem decisão que fica mais clara dita em voz alta do que rodando sozinha na cabeça. Se der, conte esta para uma pessoa antes de apertar enviar: uma amiga que não tenha pressa de concordar com você, ou alguém que leia mapas e queira olhar o seu junto com você. Não para decidir no seu lugar, mas para ajudar você a ouvir o que está prestes a dizer.

Perguntas frequentes

Sou fraca por querer mandar mensagem para o meu ex?

Não. Querer falar com alguém que fazia parte dos seus dias é muito comum. A vontade e o envio são coisas separadas, e dá para levar a primeira a sério sem fazer nada com ela hoje à noite.

Quanto tempo devo esperar antes de escrever para ele?

Não existe um número de dias que deixe uma mensagem segura, e quem der um número está adivinhando. Uma medida melhor é se você conseguiria ter um dia normal mesmo que ele nunca respondesse.

O meu mapa astral pode dizer se ele vai me responder?

Não. Um mapa descreve você: como fala sob pressão e o que acalma você. Ele não enxerga o celular nem a cabeça dele, e nenhum astrólogo honesto pode prometer uma resposta da parte dele.

Já mandei e me arrependi. E agora?

Você não precisa consertar com uma segunda mensagem. Uma mensagem mandada numa noite difícil é coisa pequena. Deixe como está, conte para uma amiga e não para ele, e trate o que vier, inclusive se não vier nada, como um dado e não como um veredito sobre você.

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