Solstaria

Chuvas de meteoros

Todo ano a Terra atravessa as mesmas correntes de poeira de cometas e asteroides nos mesmos pontos da órbita, e o céu mostra cada travessia como uma chuva. Aqui está onde caem as grandes chuvas, quando cada uma chega ao pico este ano e quanto da Lua está iluminado nesse momento.

Este ano

A órbita da Terra como um círculo de longitude solar, com 0° no equinócio de março à esquerda e seguindo no sentido anti-horário, e os meses na borda. Cada arco é o período ativo de uma chuva e a linha que o cruza, o pico; o disco pequeno na órbita é a Lua nesse pico. O ponto dourado é onde a Terra está hoje.

Os próximos doze meses

Datas dos picos no horário de Greenwich, calculadas antes com a mesma astronomia do desenho. A lista do ano acima dá o minuto no seu próprio relógio.

As chuvas, pelos números da IMO

Chuva Ativa Pico, longitude solar Taxa no pico (ZHR) Radiante
Quadrantídeas de 28 de dezembro a 12 de janeiro 283,15° 110 Boieiro
Líridas de 14 a 30 de abril 32,32° 18 Lira
Eta Aquáridas de 19 de abril a 28 de maio 45,5° 50 Aquário
Delta Aquáridas do Sul de 12 de julho a 23 de agosto 127° 25 Aquário
Perseidas de 17 de julho a 24 de agosto 140,0° 100 Perseu
Dracônidas de 6 a 10 de outubro 195,4° variável Dragão
Orionídeas de 2 de outubro a 7 de novembro 208° 20 Órion
Leônidas de 6 a 30 de novembro 235,27° 15 Leão
Geminídeas de 4 a 20 de dezembro 262,2° 150 Gêmeos
Ursídeas de 17 a 26 de dezembro 270,7° 10 Ursa Menor

As longitudes solares são para o equinócio J2000.0, como a International Meteor Organization as dá. A ZHR é a taxa por hora que uma pessoa veria num céu perfeitamente escuro com o radiante no zênite.

O que é uma chuva de meteoros

Um meteoro é um cisco de poeira, quase sempre não maior que um grão de areia, queimando bem alto na atmosfera a dezenas de quilômetros por segundo. Uma chuva acontece quando a Terra cruza o rastro de detritos deixado ao longo da órbita de um cometa, ou em poucos casos de um asteroide: as Perseidas vêm do cometa Swift-Tuttle, as Leônidas do Tempel-Tuttle, as Orionídeas e as Eta Aquáridas do cometa Halley, e as Geminídeas do asteroide Faetonte. O rastro fica onde está enquanto a Terra dá a volta, então a chuva volta ao mesmo ponto da órbita todo ano, e por isso o pico é dado como uma longitude do Sol e não como uma data. Todos os meteoros dela parecem sair de um mesmo lugar do céu, o radiante, que dá nome à chuva.

Vistas do Brasil

O radiante decide quanto se vê. Uma chuva rende mais quanto mais alto está o radiante, e a altura máxima dele depende da sua latitude. As Delta Aquáridas do Sul, no fim de julho, têm o radiante quase no zênite em São Paulo, no Rio e em Belo Horizonte, e as Eta Aquáridas de maio sobem bem acima dos cinquenta graus antes do amanhecer: são as duas chuvas do céu brasileiro. As Orionídeas de outubro e as Leônidas de novembro ficam a boa altura, no norte. As Geminídeas de dezembro, a chuva mais rica do ano no hemisfério norte, chegam a uns trinta e poucos graus em São Paulo e a uns vinte e poucos em Porto Alegre, em noites curtas de verão, e ainda assim valem a pena.

As Perseidas de agosto, as mais citadas no noticiário, são outra história. O radiante está tão ao norte que em São Paulo ele mal passa do horizonte e em Porto Alegre quase não aparece; em Salvador sobe uns vinte graus e em Manaus perto de trinta. As Quadrantídeas, com o radiante também muito ao norte, ficam baixas no Sudeste e quase somem no Sul, e as Ursídeas não aparecem em lugar nenhum do país. Existem também chuvas próprias do céu austral, como as Alfa Centaurídeas de fevereiro, que são menores e não estão nesta tabela.

Como as datas são calculadas

A página pega cada longitude de pico da lista da IMO, soma a precessão desde 2000, 50,29 segundos de arco por ano, para trazê-la para a moldura do ano mostrado, e acha o minuto em que o Sol chega lá com a mesma astronomia do resto do site. A fase da Lua é calculada para esse minuto; a do mês inteiro está em Calendário lunar. Um pico real pode vir horas antes ou depois, algumas chuvas têm picos largos que duram um dia ou mais, e as Dracônidas costumam ser fracas mas já deram tempestades. As taxas são o que um céu ideal mostraria; as contagens reais são menores, e uma Lua clara esconde os meteoros mais fracos, que são a maioria.

O que ela afirma

Chuvas de meteoros são astronomia, não astrologia: poeira batendo no ar num ponto conhecido da órbita da Terra. O costume de fazer um pedido para uma estrela cadente é isso, um costume. A página diz quando cai cada pico e quanto luar há, e descreve o céu e nada mais. Quais planetas fazem companhia nessa noite está em O céu hoje à noite.

Perguntas frequentes

Quais chuvas de meteoros dá para ver do Brasil?

As melhores para quem está no Brasil são as Eta Aquáridas, no começo de maio, e as Delta Aquáridas do Sul, no fim de julho: os radiantes sobem alto no céu antes do amanhecer, em noites longas de outono e inverno, e no Sudeste as Delta Aquáridas passam quase pelo zênite. As Orionídeas de outubro e as Geminídeas de dezembro também aparecem bem, com o radiante das Geminídeas mais baixo, no norte. As Perseidas, famosas em agosto, têm o radiante tão ao norte que em São Paulo ele mal passa do horizonte e em Porto Alegre nem chega a subir; no Norte e no Nordeste, em Manaus ou Recife, elas aparecem baixas antes do amanhecer.

O que quer dizer a taxa ZHR de uma chuva de meteoros?

A ZHR, taxa horária zenital, é o número de meteoros que uma pessoa contaria em uma hora num céu ideal: totalmente escuro e com o radiante bem no alto. É um padrão para comparar chuvas, não uma contagem para esperar. As taxas reais são menores, muitas vezes bem menores, porque o radiante quase nunca está no zênite, as cidades e o luar clareiam o céu e a maioria dos meteoros é fraca. Do hemisfério sul, uma chuva com radiante baixo no norte rende menos ainda. Na tabela desta página as Geminídeas e as Quadrantídeas têm os números mais altos, e as Dracônidas não têm nenhum, porque a taxa delas varia demais.

De onde vêm as chuvas de meteoros?

Da poeira deixada por cometas e, em poucos casos, por asteroides. Quando um cometa passa perto do Sol ele solta grãos que se espalham ao longo da órbita, e todo ano a Terra cruza essa corrente no mesmo ponto, então a chuva volta mais ou menos na mesma data. Os grãos batem na alta atmosfera a dezenas de quilômetros por segundo e queimam como riscos de luz, as estrelas cadentes para as quais, pelo costume, se faz um pedido. As trajetórias são paralelas, então por perspectiva parecem sair de um ponto do céu, o radiante, que dá nome à chuva.

Por que as datas das chuvas de meteoros mudam um pouco a cada ano?

Uma chuva chega ao pico quando a Terra alcança um ponto específico da órbita, medido como a longitude do Sol, e o calendário não acompanha a órbita no passo exato: o ano tem cerca de um quarto de dia a mais que 365 dias, e os anos bissextos corrigem isso só em dias inteiros. Isso desloca cada pico algumas horas de um ano para o outro. Esta página pega as longitudes de pico da IMO, soma a precessão e acha o minuto para o ano que você escolher, embora um pico real ainda possa vir algumas horas antes ou depois.