Signos e constelações
Três maneiras de dizer onde um planeta está: os signos tropicais que a astrologia ocidental usa, os signos siderais da astrologia indiana, e as constelações diante das quais o planeta estava de fato. Há dois mil anos eram a mesma coisa, e desde então foram se separando.
Os dez, de três maneiras
O deslocamento
Como usar
Se houver um mapa natal salvo neste aparelho, a roda abre no seu nascimento; se não, mostra o céu deste minuto, e os dois botões alternam entre um e outro. Escolha qualquer um dos dez astros na fileira de glifos e um ponteiro dourado atravessa os três anéis, com as três respostas escritas no centro: o grau tropical, o grau sideral e a constelação. A lista abaixo dá os dez de uma vez, e a seção do deslocamento dá o ayanamsa de hoje, o Sol de hoje de três maneiras e, aproximadamente, o ano em que o ponto do equinócio de março passa de Peixes para Aquário pelos limites oficiais.
Como ler as respostas, com um exemplo
Pegue o Sol a 10° de Touro no zodíaco tropical. Nas últimas décadas o ayanamsa ficou em torno de vinte e quatro graus, então o Sol sideral está vinte e quatro graus mais atrás, a 16° de Áries. Ao longo da eclíptica a constelação de Áries ocupa mais ou menos de 29° a 53° de longitude, e 10° de Touro são 40°, então o Sol também está diante de Áries. Como regra prática, um planeta nos últimos seis graus de um signo tropical mantém o mesmo signo no sideral, e qualquer posição antes disso no signo recua um. A constelação sempre precisa ser consultada, porque as bordas dela são irregulares.
Por que há três respostas
O zodíaco tropical é amarrado às estações. Ele começa no ponto em que o Sol cruza o equador em março e divide o ano em doze partes iguais de trinta graus, sejam quais forem as estrelas que fiquem atrás. Esse ponto é o começo da primavera no hemisfério norte e do outono no Brasil, mas o zodíaco é contado do mesmo jeito nos dois hemisférios. Há dois mil anos os signos e as constelações de mesmo nome coincidiam. O eixo da Terra bamboleia devagar, como um pião, e arrasta o ponto de partida para trás em relação às estrelas cerca de um grau a cada setenta e dois anos, então eles já não coincidem.
O zodíaco sideral, usado na astrologia indiana, mantém os signos presos às estrelas e desconta esse deslocamento, o ayanamsa. Há mais de uma maneira de fixá-lo; esta página usa o de Lahiri, o padrão do governo indiano, e fica a poucos minutos de arco das tabelas publicadas.
O Serpentário não é um signo perdido
As constelações são as áreas do céu que a União Astronômica Internacional delimitou em 1930, e não são iguais. Ao longo do caminho do Sol, Virgem tem mais de quarenta graus de largura e Escorpião menos de sete, e uma décima terceira, o Serpentário, ou Ofiúco, o portador da serpente, fica entre Escorpião e Sagitário por dezoito dias do ano do Sol. Nada disso muda os signos, que nunca foram medidos pelas constelações. Como os planetas se afastam um pouco para o norte e para o sul do caminho do Sol, eles também podem estar em constelações fora dele, e a lista acima diz qual era de verdade.
O céu visto do Brasil
Do Brasil o zodíaco aparece de cabeça para baixo em relação aos livros feitos no hemisfério norte, e nas noites de inverno o Escorpião passa quase em cima da cabeça em São Paulo e no Rio. Perto dele está o Cruzeiro do Sul, que não faz parte do zodíaco, aponta o sul e está na bandeira nacional, com as estrelas dispostas como estavam no céu do Rio de Janeiro na manhã de 15 de novembro de 1889.
Os povos indígenas leram esse mesmo céu com outras figuras. Para os Guarani, a Ema é uma grande constelação feita de estrelas e de manchas escuras da Via Láctea, com o Cruzeiro do Sul perto da cabeça; quando ela aparece inteira no começo da noite, em junho, marca o inverno no Sul e a estação seca no Norte. O Homem Velho, que junta as Três Marias, as Plêiades e as Híades, surge ao anoitecer em dezembro e marca o verão no Sul e o começo das chuvas no Norte. São tradições culturais com a sua própria história; esta página as nomeia com respeito e não as mistura com a astrologia ocidental.
Confusões comuns
A história de que os astrônomos mudaram o zodíaco volta a cada poucos anos. Nada mudou: a astronomia sempre disse que o Sol passa por treze constelações de larguras desiguais, e a astrologia sempre disse que os signos tropicais seguem as estações. As duas afirmações respondem a perguntas diferentes.
A astrologia sideral também não é a mesma coisa que as constelações. Ela mantém doze signos iguais de trinta graus e só os ancora nas estrelas, então um signo sideral e a constelação de mesmo nome ainda podem discordar em vários graus onde a constelação é larga ou estreita. As tradições siderais também fixam o ayanamsa de formas um pouco diferentes, o que pode mover uma posição em um grau, mais ou menos.
Os doze signos tropicais são descritos em Os signos, o eixo onde caem os eclipses em Os nodos lunares, e o equinócio a partir do qual o zodíaco tropical é contado, com o minuto exato, no almanaque.
O que esta página afirma
As posições são calculadas neste aparelho, a constelação de cada planeta é buscada nos limites oficiais, e as três respostas são postas lado a lado. Qual zodíaco usar é uma escolha que cada tradição fez; a página não faz essa escolha por você e não prevê nada.
Perguntas frequentes
Qual é o 13º signo do zodíaco?
Quase sempre se fala do Serpentário, ou Ofiúco, o portador da serpente, uma constelação diante da qual o Sol passa por uns dezoito dias entre Escorpião e Sagitário, mais ou menos do fim de novembro a meados de dezembro. É uma parte real do céu no caminho do Sol, mas não é um signo. Os signos são doze divisões iguais de trinta graus, contadas a partir do equinócio de março na astrologia ocidental ou a partir das estrelas na indiana, e nenhuma das duas tradições usa o Serpentário.
Qual é a diferença entre astrologia tropical e sideral?
As duas dividem o zodíaco em doze signos de trinta graus. O zodíaco tropical, da astrologia ocidental, começa no equinócio de março e por isso fica amarrado às estações. O sideral, da astrologia indiana, é ancorado nas estrelas e desconta o ayanamsa, o deslocamento causado pela precessão, que hoje está em torno de vinte e quatro graus. Por isso a maioria das posições cai um signo antes no sideral. Esta página mostra os dois lado a lado para o seu mapa ou para hoje.
O meu signo mudou?
Não. Um signo tropical é medido a partir do equinócio de março, então o seu é o mesmo do dia em que você nasceu. O que mudou em dois mil anos foi quais estrelas ficam atrás de cada signo, porque o eixo da Terra precessa devagar, cerca de um grau a cada setenta e dois anos. Se você usa o zodíaco sideral, ou pergunta diante de qual constelação o Sol estava, a resposta pode ser outra, e esta página mostra as três lado a lado.
Por que o zodíaco começa no outono no Brasil?
Porque ele é contado a partir do equinócio de março, que no hemisfério sul marca o começo do outono. O zodíaco tropical foi fixado no Mediterrâneo, onde esse ponto é a primavera, e é usado do mesmo jeito nos dois hemisférios: Áries começa na mesma data em Manaus e em Porto Alegre. Alguns astrólogos do hemisfério sul propõem inverter os signos pelas estações, mas é uma posição minoritária, e esta página usa o zodíaco como a tradição o conta.
O que é a precessão dos equinócios?
O eixo da Terra bamboleia devagar como um pião e dá uma volta em uns 25.800 anos. Enquanto isso, o ponto em que o Sol cruza o equador em março recua em relação às estrelas cerca de um grau a cada setenta e dois anos. É por isso que os signos tropicais e as constelações de mesmo nome, que coincidiam há dois mil anos, hoje estão quase um signo afastados, e por isso o ponto do equinócio só chega a Aquário por volta do ano 2600.