Solstaria

Por que eu sinto que sou demais para ele?

Você parou no meio de uma mensagem, apagou uma frase e mandou uma versão mais curta. Ou ficou repassando uma conversa, se perguntando se pediu demais, sentiu demais, quis uma resposta cedo demais. Essa vigilância tem nome, mesmo que ninguém tenha te ensinado: é a sensação de se monitorar em tempo real para não ocupar mais espaço do que te permitem.

De onde vem essa sensação

“Demais” quase nunca é um fato sobre você. Costuma ser uma comparação: entre o que você sente e o que outra pessoa consegue acolher, ou entre quem você é hoje e uma mensagem que você absorveu há muito tempo. Vale separar as duas, porque elas pedem coisas diferentes.

Às vezes é algo que te disseram. Uma mãe ou um pai para quem os seus sentimentos eram inconvenientes, um ex que usava “você é muito intensa” para encerrar uma DR que ele não queria ter, um grupo de amigas que te elogiava quando você era “de boa” e não pedia nada. Quando essa frase chega cedo o bastante, ninguém precisa repetir. Você mesma faz o trabalho: confere o tom antes de mandar qualquer coisa, coloca um “kkkk” no fim para não parecer sério, raciona quantas vezes diz o que quer de verdade.

Outras vezes não é um veredito, é um descompasso. Duas pessoas podem estar agindo de forma razoável e mesmo assim não se encaixar: a medida de proximidade de uma, ou do quanto se fala em voz alta, é simplesmente maior que a da outra. Isso é informação sobre capacidade, não sobre caráter. O que costuma acontecer é o descompasso ser rebatizado como defeito de quem quer mais, porque é mais fácil apontar para quem pede do que para quem recusa.

As duas coisas se embolam porque produzem a mesma sensação física, uma espécie de ficar na defensiva. Você sente no peito antes de entender com qual das duas está lidando. Ela aparece, por exemplo, quando ele visualizou a sua mensagem comprida e não respondeu.

Onde a astrologia entra, e onde não entra

A astrologia também não é um veredito sobre isso. Ela não vai dizer se ele é a pessoa certa para você, e não pode confirmar que você é demais em nenhum sentido mensurável, porque nenhuma posição decide isso. O que ela pode fazer é dar palavras para padrões que você já pressente. Se a Lua ou Vênus estão, no seu mapa, num lugar que te inclina para a profundidade, a franqueza ou um ritmo emocional rápido, isso descreve o seu ponto de partida. Não é um rótulo de advertência, e não prova que o ritmo mais lento de outra pessoa esteja errado.

Bem usado, o mapa é um espelho, e não um diagnóstico vindo de fora. Ele ajuda a perceber como você costuma amar, que ritmo parece honesto para você, o que você busca sempre de novo na proximidade. O que ele não pode fazer é dizer se uma pessoa específica tem condições de acompanhar isso. Isso você descobre observando o que de fato acontece entre vocês. Se quiser colocar os dois mapas lado a lado, a compatibilidade serve para conversar sobre ritmos, não para dar sentença.

A pergunta por baixo da pergunta

“Sou demais para ele?” muitas vezes está no lugar de algo mais difícil: esta é a relação em que eu posso ser conhecida por inteiro, ou aquela em que continuo me traduzindo em algo menor para ser tolerada? Nenhum mapa responde isso. Mesmo assim, é a pergunta que vale sustentar, porque a ansiedade é um sinal. Não necessariamente de que há algo errado com você, mas de que tem alguma coisa aqui pedindo uma conversa mais franca do que a que já aconteceu.

Olhe o seu próprio mapa já que está aqui

A Lua e Vênus descrevem o ritmo e a profundidade que são normais para você. Conhecer o seu ponto de partida facilita separar um descompasso de uma falha.

Data de nascimento
Hora de nascimento

Nada do que você digita é enviado para lugar nenhum. O mapa é calculado no seu navegador e fica guardado neste aparelho.

O que fazer com essa sensação

Você não precisa se diminuir para descobrir o que é verdade. Precisa de informação, e quase toda ela está disponível se você tiver coragem de olhar com calma.

  • Escreva de onde veio, na sua vida, a palavra “demais”: uma pessoa específica, um momento específico. Nomear a origem separa um veredito antigo de um fato presente.
  • Pergunte a si mesma se essa sensação aparece só com ele ou com quase todo mundo de quem você se aproxima. Um padrão que se repete de relação em relação diz algo sobre a clareza com que você fala do que quer, e não que querer seja errado.
  • Olhe para o que ele faz, e não para o que você teme que ele esteja pensando. Ele responde, se envolve, faz planos, mesmo num ritmo diferente do seu? Ou some e deixa você preencher o silêncio com culpa? São situações diferentes, mesmo que às três da manhã pareçam iguais.
  • Diga aquilo que você vem cortando. Não uma versão maior: a versão exata. Se isso muda o jeito como ele te trata, é bom saber. Se não cai bem, também é bom saber.
  • Da próxima vez, repare no momento em que você fica na defensiva. Dar nome a ele, algo como “estou fazendo aquilo de me revisar antes de falar”, muitas vezes afrouxa o suficiente para você escolher o próximo passo em vez de cair no de sempre.

Nada disso é sobre ficar mais fácil de lidar. É sobre descobrir, com olhos claros, se o desconforto vem de uma história antiga, de um descompasso real ou de uma conversa que vocês ainda não tiveram. Cada uma pede um próximo passo diferente, e você só consegue escolher quando sabe diante de qual está.

É difícil pesar isso sozinha, porque a parte de você que faz a conta é justamente a que aprendeu a se encolher. Falar em voz alta com alguém que não tem nada em jogo na resposta, uma amiga de confiança ou alguém que saiba ler o seu mapa, é bem diferente de ficar remoendo de novo à meia-noite.

Se essa sensação de estar sobrando te acompanha há tempo e pesa em várias partes da vida, não só nessa relação, conversar com uma psicóloga ou um psicólogo pode te dar um lugar seguro para olhar para ela sem se diminuir.

Perguntas frequentes

A astrologia diz que algumas pessoas são simplesmente demais?

Não. Um mapa pode descrever uma tendência à profundidade, à intensidade ou à franqueza, mas isso descreve o seu ponto de partida, não é um julgamento sobre ele. Nada na astrologia classifica pessoas como demais ou de menos; ela só oferece palavras para você perceber os seus próprios padrões.

Como saber se é descompasso ou algo que eu preciso trabalhar?

Observe a constância e a resposta, não só o seu desconforto. Se o que você quer continua mais ou menos igual de uma relação para outra e pessoas diferentes reagem de formas muito diferentes, isso aponta para descompasso. Ainda assim, vale conferir se você está dizendo isso com clareza, e não com indiretas.

Querer mais proximidade é um problema?

Querer mais não é o problema. O problema é a distância entre o que você quer e o que uma pessoa específica consegue oferecer, e ela não se resolve querendo menos. Ela se resolve quando você descobre com honestidade se essa relação consegue diminuir essa distância.

E se mais de uma pessoa já me disse que eu sou demais?

Vale levar a sério como padrão, mas não como verdade fixa sobre o seu valor. Pode significar que você costuma escolher pessoas com menos capacidade do que você precisa, ou que nunca chegou a testar o que acontece quando para de se editar.

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